Jogo Teatral e formação de pedagogos

Por que vivenciar os Jogos Teatrais no curso de Pedagogia?

Durante um processo de formação docente, jogar significa realizar uma profunda reflexão sobre nossos valores, atitudes e concepções a respeito do ser humano e sua multidimensionalidade, sobre a educação e as formas de aprender.

Viola Spolin, criadora dos Jogos Teatrais, percebeu que ao jogarmos nos envolvemos total e organicamente com o ambiente e “isto significa envolvimento em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo.” (SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. Tradução de Ingrid Dormien Koudela e Eduardo José Amos. São Paulo: Perspectiva, 1987.)

Jogar é um caminho seguro para aprender e a imaginação dramática é parte vital do desenvolvimento humano, estando por trás de toda a aprendizagem, tanto social quanto acadêmica, nos ensinando a pensar, examinar, explorar, testar hipóteses e descobrir noções. (COURTNEY, R. Jogo, teatro & pensamento. São Paulo: Perspectiva, 1980.)

Curso de Pedagogia, Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba, maio/2012

 Curso de Pedagogia, Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba, maio/2012.

“O caráter lúdico de um ato não provém da natureza do que é feito, mas da maneira como é feito” (Reynolds apud BROUGÈRE, G. Jogo e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998, p. 19.)

A professora Tânia Ramos Fortuna descreveu assim:

Uma aula ludicamente inspirada não é, necessariamente, aquela que ensina conteúdos com jogos, mas aquela em que as características do brincar estão presentes, influindo no modo de ensinar do professor, na seleção dos conteúdos, no papel do aluno. Ou seja, por meio da atitude lúdica o professor renuncia à centralização, à onisciência e ao controle onipotente e reconhece o aluno ativo nas situações de ensino, sendo sujeito de sua aprendizagem; sua espontaneidade e criatividade são constantemente estimuladas.

A autora afirma que uma aula lúdica é uma aula que se assemelha ao brincar – atividade livre, criativa, imprevisível, capaz de absorver a pessoa que brinca, não centrada na produtividade.

Curso de Pedagogia, Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba, maio/2012.

PUC SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Maio/2009

Curso de Pedagogia, PUC SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, maio/2009.

Em maio de 2004, a professora Tânia Ramos Fortuna me escreveu por e-mail que como consequência da interação social plasmada no brincar aprende-se a reconhecer o outro na sua diferença e singularidade, e as trocas inter-humanas aí partilhadas podem lastrear o combate ao individualismo. O jogar contribui por meio de uma vivência de ousadia, solidariedade e autonomia, coragem de inventar, tanto quanto disposição de abrir-se para o novo. Desenvolve a socialização e o aprender com prazer. A autora afirma que o jogo ensina a tentar de novo, ousar nova jogada, confiar no parceiro, superar limites. Além disso, vivências lúdicas efetivas no processo de formação de professores também cumprem o papel de ampliar o repertório lúdico do educador, provendo-o de sugestões, e aproximando-o de sua própria infância, preparando-o, assim, para compreender a infância de seus alunos.

Curso de Pedagogia, Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba, março/2012.

A prática do jogo auxilia o professor a desenvolver aspectos que são tidos como importantes para a constituição da profissionalidade docente, dentre eles, a atitude lúdica, formada por características como a capacidade de interação, a capacidade de ser dialogal e de torna-se sensível à tomada de decisão dos sujeitos nas situações educativas assim como ocorre em um jogo, onde deve haver a “possibilidade real de decidir”.

Exercitamos o respeito à regra, que é a forma das decisões serem partilhadas, sejam regras preexistentes ou aquelas criadas ─ e transformadas ─ durante o desenvolvimento de um trabalho.

Curso de Pedagogia, Centro Universitário Paulistano – UniPaulistana, São Paulo, 2007. 

Não nos tornamos lúdicos se não temos a oportunidade de assim nos construirmos. Portanto, uma formação de professores que pretende ser lúdica deve encontrar instrumentos mediadores que viabilizem sua construção. Para que pedagogos tenham a oportunidade de levar reflexões e questionamentos da prática do jogo para sua prática pedagógica em sala de aula é necessária a vivência de jogos durante seu processo de formação, pois como afirmou o professor Airton Negrine “o comportamento lúdico não é um comportamento herdado, ele é adquirido pelas influências que recebemos no decorrer da evolução dos processos de desenvolvimento e de aprendizagem”. (NEGRINE, A. Ludicidade como Ciência. In: SANTOS, Santa Marli P. (Org.) A ludicidade como ciência. Petrópolis: Vozes, 2001, p.37)

Curso de Pedagogia, PUC SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, maio/2009.

 

“A espontaneidade cria uma explosão que por um momento nos liberta de quadros de referência estáticos, da memória sufocada por velhos fatos e informações, de teorias não digeridas e técnicas que são na realidade descobertas de outros.”

(SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. Tradução de Ingrid Dormien Koudela e Eduardo José Amos. São Paulo: Perspectiva, 1987, p.4)

  • Quer ler mais?

JAPIASSU, Ricardo V. Metodologia de ensino de teatro. Campinas, Papirus, 2001.

JAPIASSU, Ricardo Ottoni VAZ. A linguagem teatral na escola: pesquisa, docência e prática pedagógica. Campinas, S.P.: Papirus, 2007.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Pedagogia do Teatro. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas. Rio de Janeiro, 7 Letras, 2007, p.124-125.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Pedagogia do Teatro. In: J.Guinsburg; João Roberto Faria; Mariangela Alves de Lima. (orgs.). Dicionário do Teatro Brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 2006, v. 1, p. 239-240.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Brecht na pós-modernidade. São Paulo: Perspectiva, 2001.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Texto e Jogo: uma didática brechtiana, SP: Perspectiva, 1996.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Um vôo brechtiano: teoria e pratica da peca didática. São Paulo: Perspectiva, 1992.

­­­­­­­­­­­KOUDELA, Ingrid Dormien. Brecht: um jogo de aprendizagem. SP: Perspectiva, 1991.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 1984.

LOMBARDI, L.M.S.S. Formação corporal de professoras de bebês: contribuições da Pedagogia do Teatro. 2011. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-21072011-103922/pt-br.php

LOMBARDI, L.M.S.S. Jogos teatrais, expressão corporal e docência. Capítulo do livro de CARNEIRO, Maria Angela Barbato (org.). Cócegas, cambalhotas e esconderijos: construindo cultura e criando vínculos. Editora Articulação Universidade Escola: São Paulo, 2010, p.81-95.

LOMBARDI, L.M.S.S. Jogos teatrais na formação de educadores da infância. Revista Fênix de História e Estudos Culturais. Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura Universidade Federal de Uberlândia. Dôssie Jogos Teatrais no Brasil: 30 anos, Volume 7, Ano VII, Número 1 – Janeiro / Fevereiro / Março / Abril – 2010, disponível em http://www.revistafenix.pro.br/, ISSN 1807-6971.

LOMBARDI, Lucia Maria Salgado dos Santos. Jogo, brincadeira e prática reflexiva na formação de professores. 2005. Dissertação (Mestrado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. Capturar em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-18082010-153930/pt-br.php

SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula: um manual para o professor. São Paulo: Perspectiva, 2007.

SPOLIN, Viola. O Jogo Teatral no livro do diretor. São Paulo, Perspectiva, 2001.

SPOLIN, Viola. Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin, São Paulo, Perspectiva, 2001(a).

SPOLIN, Viola. Improvisação para o Teatro. São Paulo, Perspectiva, 1987.

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